Qualquer tremor é o catalisador da agitação de átomos, almejando desordená-los, fundidos estão, como que aglutinados. A estrutura molecular, oriunda de remotíssimo empirismo, encerra uma personalidade sobre a qual apenas se sabe vislumbres, a centelha que a anima é o que se procura descobrir, com o nome sentido da vida. O meu sentido da vida. E para cada um tal qual o seja.
E não estou ao ponto de lançar-me pela fenda cataclismaticamente gerada. Mas as lacunas que me formam são a prova da ausência como construtiva, pode-se fazer um tudo com nada. Reticente, como era de se esperar, os geradores de dores agudas, porém afáveis, como salvadores erguem as mãos, um castigo especificamente formatado aos infiéis. Nunca fui fiel a mim, e foi tão fácil ser leviano.
Reencontra-me assim, anos depois, uma coisa disformemente deslumbrante, quanta beleza na emoção de abraçar o passado desta forma, cada vez sou menos feito de átomos e mais de coisas que não têm nome, não nomear exime a responsabilidade e aumenta a coragem, no criadouro de engrenagens cegas, uma fábrica de carne e osso trabalha sem férias para que o mundo seja perfeito. Estou atrasado para ser o próximo produto final, desde quando eu saí do projeto? Quando me foi dada essa coisa de estar acordado e dormindo voluntariamente?
Como estou vazio em todos os sentidos. Como se a processar-me novamente, cada pelo de meu corpo é um arcabouço de vida, coletando milhões de impulsos a cada segundo, no fluxo do pensamento, a cada olhar esbarrado, cada auto-reprovação e quando mínimos medos são vencidos. O que se faz para amar ignomínias? Está além de mim provar-me o quão maior posso ser e, no entanto, por vezes é obviamente natural a infantilidade desses opróbrios. A questão, em .epifania, se desdobra, humilhada pela carência de mistérios, ela se relaxa e adormece e eu a vejo clara e banal. E toda a árvore. Seus galhos contam a história e eu tenho tudo na minha memória e é uma pena reler. A riqueza de detalhes suporta todas a aparente insensatez atirada, como que bela, como que madura, como que plausível, como que natural, como que inocente, como que coerente, como que coesa, como que inofensiva.
Desta vez, haja um pingo de sangue aguado no chão e eu o restituirei a quem o derramou, certo que meus olhos continuam imaculados. Um tiro celeste vindo das profundezas da Terra agora soa como um sopro de vida, eu provo a vida que me energiza e ocupa os espaços vazios, continuando eles, porém, vazios e os quero assim. Quero-os engrandecendo-me, buracos que me ausentam de tudo o que achava e achavam sobre mim mesmo. Eu sou infinitos a cada pessoa que passa por mim e não sou nenhum deles com os quais elas compararam. Anos depois, eu quererei encontrar-me como agora e abraçá-lo pelo impávido que foi, algo que eu jamais conseguirei repetir. E não por apenas um momento, mas os inconstantes percursos, inimagináveis e complexos... Nada mais que verdades derramadas, como um selo, como um diploma. Eu jamais errei na minha vida. Se errar era estar no mesmo lugar. E quando eu me reverter em pó? Quando direi para isso tudo o que ficou o quanto eu não me arrependi, o quanto eu sempre soube, a cada instante que estava sendo a base de mim mesmo. Desconhecido.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Desvio
E quanto tempo se passou desde que sentamos e pudermos rir de verdade sem planejar a próxima fala e sem esperar o que quer quer fosse ser dito. Quando pudemos, pela última vez, sermos nós mesmos sem saber que estávamos sendo autênticos, fazendo algo muito diferente do que sempre é feito? Eu consigo enxergar o através de qualquer atitude, q não-abnegação por detrás de todos os modos, inconscientemente dissimulados, jorrando o patético de ações pela metade. Pouquíssimas vezes o que estava entre meus dedos realmente era um pedaço de pele desgarrada a força por unhas fomentadas pelo desespero de servir. E esse pedaço de pele, enfiado pela minha ferida, curando uma parte invisível do meu sofrimento repetitivo, essa pele agora também faz parte de mim e sendo uma pele minha, passou-se a ser eu também quem eu amo e assim se constitui o amor. O amor não sou eu sozinho.
Mas não me deixe descobrir que era tudo feito de vidro oco como não há diferente forma de ser. A ilusão com a qual me revisto sempre é mais espessa do que meus olhos conseguem alcançar. Eu danço com sombras criadas por mim mesmo, são reais projeções de como o vejo, o mundo inteiro, concentrado em minhas mãos e eu leio tudo o que é dito, todos os milimétricos movimentos não passam despercebidos. tantos anos que esperei sentando debaixo da neve dos meus sentimentos aguçaram meus olhos e enrijeceram meu julgamento. Eu consigo ver o que acontece do outro lado do planeta e entendo perfeitamente. A consciência que me foi entalada, tão procurada outrora, já está enraizada em mim como eu jamais pude supor. Meu regozijo está em não ter ao lado o que eu mais queria. O ciclo infinito.
Para, então, que se fecha a recorrência de agir conforme a consciência, eu descobri não deter poderio sobre o bem. Este, ao invés disso, se desdobra e é manipulado por mãos descuidadas em suposto benefício próprio ao custo do auto-sacrifício comedido ou explícito. Uma felicidade camuflada sobre a qual não é permitido jogar pedras, uma que, frágil, desabaria sem qualquer reação. E é tão frustrante não caber a mim que o melhor seja feito em qualquer circunstância, posto que me abstenho, então, de qualquer intervenção, finda o propósito da existência de qualquer troca e seca, assim, o canal. Outrora abundante, comigo a intensidade parece sempre ser inversamente proporcional ao tempo de duração do jorrar das águas. Eu me cansei por diversas vezes e a dor nas costas que sinto se intensifica a cada dia. Preciso dormir.
Pode ser que eu tenha queimado energias de uma vida inteira. Mas estou mais do meu lado agora. Sacrificando o que eu mesmo quero para que eu mesmo fique bem, em uma vontade de controlar a mim mesmo que me torturo infinitamente, agora tentando me reeducar. Eu sou meu mestre e algoz, mas sujeitando-me a duras punições, eu agora, depois de tanto tempo, tento apaziguar-me comigo mesmo e ser além de apenas eu, mas comprometido comigo, quero mudar e estar em paz. Ainda que assim eu precise me privar mais um pouco, ser cruel comigo mais um pouco, destruir a rebeldia em mim mais um pouco. Eu sempre soube o que sou. Eu sempre prezei pela minha autenticidade. Um orgulho para mim.
Mas não me deixe descobrir que era tudo feito de vidro oco como não há diferente forma de ser. A ilusão com a qual me revisto sempre é mais espessa do que meus olhos conseguem alcançar. Eu danço com sombras criadas por mim mesmo, são reais projeções de como o vejo, o mundo inteiro, concentrado em minhas mãos e eu leio tudo o que é dito, todos os milimétricos movimentos não passam despercebidos. tantos anos que esperei sentando debaixo da neve dos meus sentimentos aguçaram meus olhos e enrijeceram meu julgamento. Eu consigo ver o que acontece do outro lado do planeta e entendo perfeitamente. A consciência que me foi entalada, tão procurada outrora, já está enraizada em mim como eu jamais pude supor. Meu regozijo está em não ter ao lado o que eu mais queria. O ciclo infinito.
Para, então, que se fecha a recorrência de agir conforme a consciência, eu descobri não deter poderio sobre o bem. Este, ao invés disso, se desdobra e é manipulado por mãos descuidadas em suposto benefício próprio ao custo do auto-sacrifício comedido ou explícito. Uma felicidade camuflada sobre a qual não é permitido jogar pedras, uma que, frágil, desabaria sem qualquer reação. E é tão frustrante não caber a mim que o melhor seja feito em qualquer circunstância, posto que me abstenho, então, de qualquer intervenção, finda o propósito da existência de qualquer troca e seca, assim, o canal. Outrora abundante, comigo a intensidade parece sempre ser inversamente proporcional ao tempo de duração do jorrar das águas. Eu me cansei por diversas vezes e a dor nas costas que sinto se intensifica a cada dia. Preciso dormir.
Pode ser que eu tenha queimado energias de uma vida inteira. Mas estou mais do meu lado agora. Sacrificando o que eu mesmo quero para que eu mesmo fique bem, em uma vontade de controlar a mim mesmo que me torturo infinitamente, agora tentando me reeducar. Eu sou meu mestre e algoz, mas sujeitando-me a duras punições, eu agora, depois de tanto tempo, tento apaziguar-me comigo mesmo e ser além de apenas eu, mas comprometido comigo, quero mudar e estar em paz. Ainda que assim eu precise me privar mais um pouco, ser cruel comigo mais um pouco, destruir a rebeldia em mim mais um pouco. Eu sempre soube o que sou. Eu sempre prezei pela minha autenticidade. Um orgulho para mim.
terça-feira, 22 de maio de 2012
O Ponto Fraco
Um pouco encostado numa árvore repleta, as sombras que ela projetava deixava entrever raios de sol fracos que queimavam de leve apenas a epiderme renovando o cansaço de um dia de intenso desgaste mental. O torpor do sono se apoderando dos músculos já relaxados, a mente divagava sem que se percebesse por campos mais verdes ainda, uma calma apenas incomodada pelo soprar de uma brisa quase imperceptível. Aos seus ouvidos, bem ao longe chegavam sons indefiníveis, então ele não prestou atenção, na verdade não os havia notado ainda. E relaxou, talvez tenha dormido.
A cada hora, porém, o som se definia em contornos sonoros, assemelhando-se a sensação quente, como se algo o provocasse com extremo zelo e vontade de ser notado. Sonhos multicoloridos, adornados na linha do tempo o fazia ignorar que era um ser humano e vivia dentro de si próprio neste constante estado de relaxamento mental e era auto-suficiente. Nas mãos sentia a grama se tornar mais viva e escorria verde-clara de suas mãos. Ainda que insetos chegassem a pousar onde ele repousava, nada havia que o fizesse erguer-se, ele era uma completude. Mas ao longe, menos, mas ainda longe, os sons se repetiam.
Ao abrir os olhos, porque o despertara, tais sons só podiam ser passos, mas sem corrida, sem qualquer ambição que não fosse apenas andar naquela direção. Ali estava algo que não pertencia a todo esse universo mansamente designado por ele e fibras que não houvessem sido tecidas por sua imaginação eram como existir água dentro de um vulcão. O que há que a isso se assemelhe? Ele, porém, fechou os olhos, estes por tanto tempo quanto antes já não permaneciam relaxados e ocasionais miradas na direção do azul infinito eram repletas de esforço hercúleo, mas ratificado.
Decidiu que ele mesmo era o mais importante com o que se preocupar, enquanto estava ocupado em saber-se mais, os passos se alargavam (ou fora o som apenas?) sem que ele sequer notasse e havia se tornado o mestre na arte de desviar-se. Até que a ausência deles despertou seus olhos para o que pudesse estar perdendo, uma vez que todos os mundos não poderiam ser previsíveis a seus comandos e conhecimentos, mas ele não sabia disso. Por julgar-se ciente até do que não se enxerga, quando abriu os olhos, deparou-se com uma torrente de sensações que o fez querer não mais o que sua vida inteira o havia satisfeito além de suas perturbações. Mas o gosto do novo que não estava em sua boca o tornou um ser ausente de si mesmo e ele não sabia viver sem saber o que fazer. E não viveu. Mas isso não era para ser vivido. Isso era alguma coisa que assim foi e, melhor que não tivesse sido, ele não sabia administrar que não fosse como ele sabia que tinha que ser. A faca enfiada no peito, se auto-justificada, é melhor que flores como presente.
Quando os passos se afastaram, um vazio controlável o fez uma reminiscência de alguma coisa ruim antiga, apenas ali enterrada, levantara a cabeça de leve para lembrar que nada no mundo é para ser definitivo. E as lições que havia aprendido o fazia não mais estar perto de alguma árvore. Mão sabia onde estava, na verdade. Era a parte que não entendia, era a parte que lhe havia sido negada, era o que ele buscava, e jamais havia tido. O que julgara seu apenas por seguir descansando dessas tempestades que provocava dentro de si e engolindo toda a tormenta, ele julgava que fosse estar perto de se libertar e o inevitável o completaria com a abertura dos céus e de lá tudo o que ele não havia feito nada para ter e estava acontecendo naquele momento, era isso, era agora! Era o que estava na história que havia escrito, detalhes repetidos em diversos momentos, como uma recompensa múltipla por ter sido além de si mesmo. E ter duvidado de si soava agora tão estúpido, agora que ele via na sua frente o universo inteiro fazendo um sentido cósmico vazio de razão. Ele se bastava.
E o que havia desvirtuado essa certeza? E onde o pé havia se enterrado na areia? E em que momento ele deixara de ser um ser humano? E se suas qualidades o superavam,então por quê? Por que aqueles passos ainda podiam ser ouvidos e ainda eram cheios de significado se nada acordava com sua lógica mais do que provada? E por que a vida era cheia de fel? E o que era que tudo aquilo queria dizer? Não poder tomar as rédeas da situação parecia uma impotência nunca sequer vislumbrada de ser aceita. Há tantas formas de cortar essa falta de autenticidade e adiar ferimentos inocentemente provocados, uma vez mais entrando pelo mesmo caminho já retrilhado a exaustão, até na força essa fraqueza perdura impiedosa. Não há como compreendê-la, talvez não haja como livrar-se dela e o rasgo, essa vontade adormecida emerge novamente enquanto todos dormem tranquilos em seus travesseiros fofíssimos. Ele tem nas mãos e os dedos estão imobilizados, a mão não fecha.
Aquilo, assim, sem sentido o fazia relembrar algo que se esforçara tanto por esquecer. E o havia feito. E como não sabia lidar com o mesmo raio caído duas vezes no mesmo lugar?
A cada hora, porém, o som se definia em contornos sonoros, assemelhando-se a sensação quente, como se algo o provocasse com extremo zelo e vontade de ser notado. Sonhos multicoloridos, adornados na linha do tempo o fazia ignorar que era um ser humano e vivia dentro de si próprio neste constante estado de relaxamento mental e era auto-suficiente. Nas mãos sentia a grama se tornar mais viva e escorria verde-clara de suas mãos. Ainda que insetos chegassem a pousar onde ele repousava, nada havia que o fizesse erguer-se, ele era uma completude. Mas ao longe, menos, mas ainda longe, os sons se repetiam.
Ao abrir os olhos, porque o despertara, tais sons só podiam ser passos, mas sem corrida, sem qualquer ambição que não fosse apenas andar naquela direção. Ali estava algo que não pertencia a todo esse universo mansamente designado por ele e fibras que não houvessem sido tecidas por sua imaginação eram como existir água dentro de um vulcão. O que há que a isso se assemelhe? Ele, porém, fechou os olhos, estes por tanto tempo quanto antes já não permaneciam relaxados e ocasionais miradas na direção do azul infinito eram repletas de esforço hercúleo, mas ratificado.
Decidiu que ele mesmo era o mais importante com o que se preocupar, enquanto estava ocupado em saber-se mais, os passos se alargavam (ou fora o som apenas?) sem que ele sequer notasse e havia se tornado o mestre na arte de desviar-se. Até que a ausência deles despertou seus olhos para o que pudesse estar perdendo, uma vez que todos os mundos não poderiam ser previsíveis a seus comandos e conhecimentos, mas ele não sabia disso. Por julgar-se ciente até do que não se enxerga, quando abriu os olhos, deparou-se com uma torrente de sensações que o fez querer não mais o que sua vida inteira o havia satisfeito além de suas perturbações. Mas o gosto do novo que não estava em sua boca o tornou um ser ausente de si mesmo e ele não sabia viver sem saber o que fazer. E não viveu. Mas isso não era para ser vivido. Isso era alguma coisa que assim foi e, melhor que não tivesse sido, ele não sabia administrar que não fosse como ele sabia que tinha que ser. A faca enfiada no peito, se auto-justificada, é melhor que flores como presente.
Quando os passos se afastaram, um vazio controlável o fez uma reminiscência de alguma coisa ruim antiga, apenas ali enterrada, levantara a cabeça de leve para lembrar que nada no mundo é para ser definitivo. E as lições que havia aprendido o fazia não mais estar perto de alguma árvore. Mão sabia onde estava, na verdade. Era a parte que não entendia, era a parte que lhe havia sido negada, era o que ele buscava, e jamais havia tido. O que julgara seu apenas por seguir descansando dessas tempestades que provocava dentro de si e engolindo toda a tormenta, ele julgava que fosse estar perto de se libertar e o inevitável o completaria com a abertura dos céus e de lá tudo o que ele não havia feito nada para ter e estava acontecendo naquele momento, era isso, era agora! Era o que estava na história que havia escrito, detalhes repetidos em diversos momentos, como uma recompensa múltipla por ter sido além de si mesmo. E ter duvidado de si soava agora tão estúpido, agora que ele via na sua frente o universo inteiro fazendo um sentido cósmico vazio de razão. Ele se bastava.
E o que havia desvirtuado essa certeza? E onde o pé havia se enterrado na areia? E em que momento ele deixara de ser um ser humano? E se suas qualidades o superavam,então por quê? Por que aqueles passos ainda podiam ser ouvidos e ainda eram cheios de significado se nada acordava com sua lógica mais do que provada? E por que a vida era cheia de fel? E o que era que tudo aquilo queria dizer? Não poder tomar as rédeas da situação parecia uma impotência nunca sequer vislumbrada de ser aceita. Há tantas formas de cortar essa falta de autenticidade e adiar ferimentos inocentemente provocados, uma vez mais entrando pelo mesmo caminho já retrilhado a exaustão, até na força essa fraqueza perdura impiedosa. Não há como compreendê-la, talvez não haja como livrar-se dela e o rasgo, essa vontade adormecida emerge novamente enquanto todos dormem tranquilos em seus travesseiros fofíssimos. Ele tem nas mãos e os dedos estão imobilizados, a mão não fecha.
Aquilo, assim, sem sentido o fazia relembrar algo que se esforçara tanto por esquecer. E o havia feito. E como não sabia lidar com o mesmo raio caído duas vezes no mesmo lugar?
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Covardia
Dentre as ventosas pelas quais engole o
que lhe falta, serenidade e paz de espírito, tem o costume, esta
criatura, de vagar em lodosas superfícies, seu peso monstruoso
apartado pelos corpos que repetidamente se atiram a seus pés em
admiração forçada, não sabendo de onde vem. Tudo canalizado pela
abjeta forma amorfa, desfigurada em sua essência, a boca torta
pingando dentes sem funcionalidade, sugando a pureza e jogando todo o
erro de sua existência, frustradamente tentando justificar-se estar
neste planeta. A massa decomposta se arrasta e sua carcaça putrefata vai emitindo tentáculos que se prendem às pernas de quem passa, uma
suave simulação de espirros doces atraem quem tenha buracos em suas
almas, à busca de conforto, inocentes por desenvolverem seus
sentimentos mais acolchoados, a besta selvagem lambuza com sua gosma
corpórea fétida qualquer um que esteja alienado de si. Por ela se
matam, por ela se privam, por ela se confundem. A enorme covardia do
ignóbil enviado pelo mais invejoso dos deuses sobrepõe-se ao
asqueroso simples fato de esse reles lixo tóxico respirar.
Mestre em dissimular-se, como líquido
que se encaixa em qualquer recipiente, se alarga e ocupa as faltas de
seus hospedeiros, dando-lhes o conforto tão sonhado, eles se sentem
um só com o pusilânime parasita, seus olhos retorcidos, como fendas
em meio ao corpo repugnante, uma visão de horror do centro-vivo de
uma alma deturpada e corrompida por suas fraquezas maximizadas e
egoístas. Embalados em sono profundo, ausentes do asco que suas
vidas se tornaram em comunhão com tal aberração incoerente, um
fruto bichado e merecedor de todo o escárnio que lhe sobrevier,
odiar tal fonte de infelicidades é o perdão merecido pelo mais alto
escalão da santidade. Paradoxal citar beleza em mesma linha de
pensamento que a escória do universo. E drenando as almas muito
vagarosamente, inebriando suas vítimas com seu falseamento que é a
razão de continuar a existir, o vírus começa a transmutar-se,
livrando-se de seu alimento, pisando mais aliviadamente e
enganando-se de que é algo melhor do que fora, como se tal evento
possível fosse, ignorando que é intrínseco a sua nojeira vital que
sofra a cada vez que respira, uma justa punição por roubar o ar do
mundo, tão abjeto pedaço de engano.
E houve quem se desse conta de que era
impossível ser humano aquele acúmulo de frustrações e palavras
calculadas, impostadas em um discurso polido e neutro, era impossível
que corresse sangue quente naquela tentativa de modelo de virtudes,
naquele arremedo de gente, tão artificializadas eram todas as suas
atitudes, tão inconsistentes eram suas frases, tão vazios e fracos
eram seus movimentos. A estagnação aparente condenava o pantanoso
ser abissal a julgar-se capaz de definir não relativizar situações
e fatos, por estar acima do mundo, quando jamais havia caminhado
metros além de seu ponto de partida e após tantos séculos de
existência era o mesmo infantiloide débil-mental que sempre fora,
imaturidade em um corpo tão incapaz de ser humano, tão falho e
limitado, tão privado e tão bem-disfarçado. A consciência que
inflava suas vítimas as pulverizavam ódio e o histórico de finais
catastróficos não era mais nenhuma surpresa, agora sim, era mais
do que justificável e pouco havia sido o que lhe sobreviera. Antes
houvesse cessado de vez que tal traste permanecesse a caça de pobres
coitados.
E conduz-me ao centro de mim,
reavaliar-me por meu próprio mérito a realidade. Jamais
considerar-me com a superficialidade pseudo-conflituosa
característica dos inertes em auto-comiseração contemplativa, dos
submissos a vontade alheia, dos derrotados no âmago de si. Eu
desmembrei a besta aleijada, retirando cada pedaço de sua nojenta
carapaça e grudando ao meu próprio corpo para que o nojo de mim
mesmo próximo a qualquer fato que me lembrasse esse imenso e
profundo buraco me enchesse do ódio necessário para querer fazer a
morte parecer um alívio bendito. Não mais palavras vazias e
falsidade teórica. Não mais cenários fantasticamente coloridos,
pintados com tanto talento por mãos reticentes e hesitantes. Eu
enfio a mão na carne e esbaldo meus dedos em sangue pulsante e
pedaços de matéria humana, o clímax do ser orgânico. Cuspo nesse
amalgamado de transparências holográficas recheadas de utopias
pueris e etiqueta burguesa. A moderação patológica guiada por uma
crença em um auto-valor soberbo auto-infligido e invisível
constitui o cerne de um vendaval de mentiras, como uma fortaleza de
vidro. A armadilha perfeita.
domingo, 29 de abril de 2012
Big Bang
Movendo-me levemente no início,
os espinhos fincados em minha cabeça
despregavam-se
tanto mais forte era de pura
insatisfação o indício
do que me guiava, as amarras
afrouxavam-se.
Envolto por enevoadas brumas
hilariantes
perscrutei toda uma estrada
transparente e povoada
por fantasmas esmeramente desenhados
pelos semblantes
e expressões sorridentes e
convidativas, a alma lavada.
E era o princípio da paz eterna,
mais leve de mim,
todo um asqueroso passado que hiberna,
julgado morto, sem provas de seu fim.
Vem desse passado uma fagulha,
a rasa previsão de um futuro em
miragens
concretizando, antes do meu pensamento,
meras imagens
com o peso final e tamanho de uma
agulha.
Estupefato com a minha vida convergindo
de acordo comigo, como o centro de mim
externado
o universo fazendo sentido, o
sofrimento antes amalgamado
agora desfeito, a compreensão suprema,
o esperado fluindo
E com a força da justiça embrenhada
em tudo o que faço,
por dentre mim, rasgando meu ponto
fraco exposto
meu esqueleto pulverizado, deformado
meu rosto
inerte agora, os olhos vidrados,
impossível qualquer passo.
Por horas estagnado, minha mente um
turbilhão,
eu ainda vagando fora de mim atônito,
um grito afônico,
mas não cabia mais o modus operandi de
até então.
Eu não era mais capaz de ser o de
costume
e uma distração que me elevou para
além do superficial
e se apagou na hora certa, um mal?
Em nenhum momento fora, mas nas trevas
um lume.
Travestido de mil máscaras e adornos,
jóias e panos,
maquiagem e trejeitos, scripts e
planejamentos,
ordem e previsão, desejos moldados há
anos,
vontades artificializadas, cálculos
enfraquecendo momentos...
Era eu, como hoje me vejo, e me despi
de toda a carapaça
e nu, com meus pelos humanos e meus
defeitos e feiúras
caminho pela rua, e o mundo inteiro
passa
ao meu lado e me toca com todas as mãos
duras
de quem não sabe o que é um corpo
humano
as correntezas do planeta fechando meu
primeiro ano.
E neste quarto completamente vazio
espio dentro da minha boca a alguma
procura
de qualquer som esguio
que me dê a resposta, a gota mais pura
de incrível satisfação simplória
em vez de toda a ostentação, para
mim, peremptória
Não havia nada e volto a olhar
as paredes brancas, geladas, são
confortáveis
e a cama, tão doce, tão cômoda, um
mar
onde sinto meu corpo afagar-se, em
ondas amáveis
e posso ser tranquilo novamente
e ser, a todo o tempo do mundo,
ausente.
Que todas as direções me levem ao
ponto de partida,
e passarei por mim sem saber
como numa nova vida
sem ter
o que sempre sonhei que teria
e não tendo é que eu conseguiria
nunca se tem como saber.
------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Como pode o ser humano magoar tanto, ser tão gentil, ser tão incoerente, ser tão atencioso, ser tão insensível, ser tão sublime, ser tão patético, ser tão artificial, ser tão cruel, ser tão amável? Eu tiro por mim que sou algo diferente a cada instante, mas sei hoje quem eu sou. E sei mais sobre o que eu quero, ainda que não consiga concretizar tudo isso. Mas eu sei. eu sei onde tenho pisado e onde não quero pisar, eu sei milimetricamente o que se passa e o que todos têm em seus pensamentos, eu consigo ler as mentes do mundo e eles não falam, eles não dizem uma palavra e eu conheço tudo sobre todos e espremo seus coraçõezinhos amedrontados num abraço infinito de amor ou de ódio profundo. O sentimento sou eu agora, completamente humanizado e eu estou em tudo o que todos sentem e compreendo o amor do mundo, mas pouquíssimos de fato amam. A maioria não passa de egoístas, não passa de orgulhosos, não passa de mentirosos falsários. São como os dois pássaros no fio. Mas eu não apenas tentei. Eu voei para bem longe.
terça-feira, 24 de abril de 2012
O Maior de Todos os Abraços
Tão distante me encontrava do maior de todos os abraços, que nessa agonia por ter meus braços de volta não conseguia distinguir entre os infinitos formatos, a textura da pele, a cor, o cheiro e os pelos que roçavam, ocasionalmente, meu corpo inteiro em um envolvimento pleno. Mas bastava que eu meramente fechasse os olhos e um som longínquo, aumentando com o passar dos minutos, às vezes mais rapidamente, às vezes mais lentamente até virar um estrondo me despertava. Eu, atônito, percebendo-me sozinho, precisava de braços novamente que tapassem minha nudez, deixando-me no regaço de quem pudesse fechar os olhos comigo enquanto eu dormia. Mas quem o faria? Antes que eu pudesse perceber, mais uma vez, o formato era diferente, tudo era outro, mas o conforto era o mesmo, ainda que por dentro minha pele se contorcesse. E não achando o que eu sempre busquei, quando achei, eu procurei com tanta dedicação, anos aparando meu cérebro para que chegasse a meu próprio convencimento de que toda a violência, arrancar pedaços de si, era a coisa certa e melhor a ser feita. Mas quando achei, eu, de alguma forma, virei apenas braços e todo o resto de mim, jogado a um canto da minha memória, se espremeu de dentro para fora, no processo interrompido no qual eu havia me dedicado totalmente a ser unicamente eu.
Da árvore que agora era, galhos eram arrancados com a mesma fúria com a qual cresciam, de minha cabeça começava a florescer o que eu era finalmente, brutalmente ameaçado de secar por minhas próprias ações, eu plantando insetos devoradores de sentimentos e ervas daninhas ao redor de meus pés fincados em toda a terra do mundo. Jamais eu poderia supor que o meu objetivo era o que sufocaria minha colheita, se da forma como eu o estive enxergando todos esses anos, ele apenas poderia cortar-me no final e tornar-me uma árvore em meio a um campo de verde vibrante. Qual o mérito que uma folha tem de existir entre mil folhas? Mas a minha, brotando de entre as rochas secas do sertão conseguia ser uma folha multicolorida, ameaçada em sua luz infinita por minha ideologia de vida, arraigada em mim como um vírus, me devorando poucos milímetros a cada mês que eu fechava desapontado.
Eu não sei explicar como os braços me contornaram, tão macios e quentes, sugando toda essa fraqueza que me desmotivava, fazendo-me sentir completo novamente. Braços que transbordavam presença e amor, um amor forte, de posse, mas uma posse feita inteiramente de proteção. A beleza dos braços me deixaram estupefato, de imediato eu soube, naquele instante, que minha busca cessara, o maior de todos os abraços estava ali tornando-me um ser superior a mim mesmo em extremo conforto comigo mesmo, ele havia feito-me o que eu sempre sonhara. Em prantos, desesperado por querer encontrar o resto de quem havia me feito aquele bem supremo, senão Deus mesmo, me provando que existia! Mas não o encontrei, uma voz apenas. A voz de Deus, sussurrando no meu ouvido, um êxtase inexplicável e a certeza de toda a felicidade e que todo o futuro seria de prazer sublime... Ele me disse, completamente desprotegido, ele me disse que eu havia encontrado o melhor que o universo poderia me oferecer, que eu estava nos braços mais familiares do mundo, eu olhei ao redor, eu me abraçava e não conseguia me largar.
- Toda uma vida desperdiçada atrás de uma pedra que estava no meu bolso?
- Nenhum tempo é perdido, nenhum sofrimento é inútil, nenhuma epifania é mera divagação.
- Meu arrependimento queima a sola dos meus pés, de onde parte toda a coroa de flores, agora um pouco chamuscada pela vergonha de me entregar ao ínfimo de mim inúmeras vezes.
- Se preciso, eu me faço carne e sangro mil vezes, apaixono-me pela mulher mais vil e imunda da alta-sociedade e sofro com o olhar de desdém que ela me lançará, pisando em minhas declarações de amor incondicional, lambendo o chão que ela cospe. O amor que me atravessa me faz humano tanto quanto me diviniza e ao olhar essa mesma mulher, anos depois, com indiferença enquanto ela tenta me apunhalar novamente, eu estarei sendo um pouco mais fiel à luz inabalável que carrego no fundo de mim, esperando onde possa jorrar.
- O que temo é o eterno.
- O que é, que não o agora infinitas vezes?
- Essa certeza é como um diamante, falta-me algo.
- Estamos todos na eternidade agora mesmo, assim, não existe espera, não existe dor, nem ausências, só existimos nós e quem amamos, pairando sobre nosso momento eterno, uma marca em nós, parte de nós.
- Todos que carregamos, todos que amamos, de mãos transmutadas no maior de todos os abraços. E apenas eu posso dá-lo. Eu apenas que tenho em mim todos que amo de uma vez só e tudo o que sinto quando estou perto deles, cada um de uma vez e todos de uma vez só. Eu sou o maior de todos os abraços, eu sou os mais tenros e mais fortes braços que já me tocaram. Eu tenho os braços de Deus colados aos meus, mais um, na verdade, como mais um junto a todos.
Uma felicidade eterna, feita do que se condena todos os dias. Eu não preciso do que sei seria minha maior falta, eu não preciso. Mas, um dia, estarei, ao lado deste símbolo, além de mim e aglutinarei incontáveis felicidades umas nas outras. Um retalho do planeta, sem compromisso algum de obrigar ninguém a nada. Eu nem tenho mais controle sobre mim, é um caminho sem volta deixar-se guiar por si mesmo.
Da árvore que agora era, galhos eram arrancados com a mesma fúria com a qual cresciam, de minha cabeça começava a florescer o que eu era finalmente, brutalmente ameaçado de secar por minhas próprias ações, eu plantando insetos devoradores de sentimentos e ervas daninhas ao redor de meus pés fincados em toda a terra do mundo. Jamais eu poderia supor que o meu objetivo era o que sufocaria minha colheita, se da forma como eu o estive enxergando todos esses anos, ele apenas poderia cortar-me no final e tornar-me uma árvore em meio a um campo de verde vibrante. Qual o mérito que uma folha tem de existir entre mil folhas? Mas a minha, brotando de entre as rochas secas do sertão conseguia ser uma folha multicolorida, ameaçada em sua luz infinita por minha ideologia de vida, arraigada em mim como um vírus, me devorando poucos milímetros a cada mês que eu fechava desapontado.
Eu não sei explicar como os braços me contornaram, tão macios e quentes, sugando toda essa fraqueza que me desmotivava, fazendo-me sentir completo novamente. Braços que transbordavam presença e amor, um amor forte, de posse, mas uma posse feita inteiramente de proteção. A beleza dos braços me deixaram estupefato, de imediato eu soube, naquele instante, que minha busca cessara, o maior de todos os abraços estava ali tornando-me um ser superior a mim mesmo em extremo conforto comigo mesmo, ele havia feito-me o que eu sempre sonhara. Em prantos, desesperado por querer encontrar o resto de quem havia me feito aquele bem supremo, senão Deus mesmo, me provando que existia! Mas não o encontrei, uma voz apenas. A voz de Deus, sussurrando no meu ouvido, um êxtase inexplicável e a certeza de toda a felicidade e que todo o futuro seria de prazer sublime... Ele me disse, completamente desprotegido, ele me disse que eu havia encontrado o melhor que o universo poderia me oferecer, que eu estava nos braços mais familiares do mundo, eu olhei ao redor, eu me abraçava e não conseguia me largar.
- Toda uma vida desperdiçada atrás de uma pedra que estava no meu bolso?
- Nenhum tempo é perdido, nenhum sofrimento é inútil, nenhuma epifania é mera divagação.
- Meu arrependimento queima a sola dos meus pés, de onde parte toda a coroa de flores, agora um pouco chamuscada pela vergonha de me entregar ao ínfimo de mim inúmeras vezes.
- Se preciso, eu me faço carne e sangro mil vezes, apaixono-me pela mulher mais vil e imunda da alta-sociedade e sofro com o olhar de desdém que ela me lançará, pisando em minhas declarações de amor incondicional, lambendo o chão que ela cospe. O amor que me atravessa me faz humano tanto quanto me diviniza e ao olhar essa mesma mulher, anos depois, com indiferença enquanto ela tenta me apunhalar novamente, eu estarei sendo um pouco mais fiel à luz inabalável que carrego no fundo de mim, esperando onde possa jorrar.
- O que temo é o eterno.
- O que é, que não o agora infinitas vezes?
- Essa certeza é como um diamante, falta-me algo.
- Estamos todos na eternidade agora mesmo, assim, não existe espera, não existe dor, nem ausências, só existimos nós e quem amamos, pairando sobre nosso momento eterno, uma marca em nós, parte de nós.
- Todos que carregamos, todos que amamos, de mãos transmutadas no maior de todos os abraços. E apenas eu posso dá-lo. Eu apenas que tenho em mim todos que amo de uma vez só e tudo o que sinto quando estou perto deles, cada um de uma vez e todos de uma vez só. Eu sou o maior de todos os abraços, eu sou os mais tenros e mais fortes braços que já me tocaram. Eu tenho os braços de Deus colados aos meus, mais um, na verdade, como mais um junto a todos.
Uma felicidade eterna, feita do que se condena todos os dias. Eu não preciso do que sei seria minha maior falta, eu não preciso. Mas, um dia, estarei, ao lado deste símbolo, além de mim e aglutinarei incontáveis felicidades umas nas outras. Um retalho do planeta, sem compromisso algum de obrigar ninguém a nada. Eu nem tenho mais controle sobre mim, é um caminho sem volta deixar-se guiar por si mesmo.
domingo, 22 de abril de 2012
Cacos
Adaptando cuidados que já me foram familiares, eu tento forjar uma imagem do passado, tão bela como eu não sou mais. O objetivo passa a ser copiar o que eu desaprendi, com tantos cortes, cada vez mais profundos, transformaram-se em cicatrizes, e outra vez abertas. Estranho eu não saber olhar para frente.
Uma coleção de qualidades intocadas, um código de conduta impecável resume todas as suas ações e controlam cada passo e cada pensamento. O que se diz poder ser mais racional do que ignorar qualquer razão emocional para jogar-se de cara na camisa de força do bem-agir? Uma honestidade patológica assoberba-te, mas o erro que o certo evoca é imenso demais para ser digerido. É melhor deitar sobre estacas finíssimas do que cobrir-se com um manto, o qual encontrou ao acaso, andando, preocupando-se, um momento leve no meio do caos.
Por diversos lapsos, pego-me cogitando dar novamente um passo atrás que poderia ser mil a frente sem que eu saiba. Mas então pequeníssimas palavras são capazes de fazer meu sangue gelar e voltar a curvar-me para dentro de mim. É impossível eu ser refém deste medo e estar tranquilo, o tempo de agir sempre foi o maior problema e as dores se acumularam, algumas curadas, mas não se sabe o que tem ainda por baixo. E em quanto tempo as coisas não mais teriam a possibilidade de ser como foram e estão sendo? Eu apenas não vislumbro qualquer chance de um futuro agradável, não-repetido.
Uma gota de chuva no deserto. Apenas, mas nunca pareceu mais do que isso, é bom estar no árido do deserto, o sol escaldante, eu prefiro a honestidade do sol a essa gota inconstante e irreal. Palavras animadoras, mas nunca consigo perceber o real, nunca consigo saber o concreto dos sentimentos... E deveria saber? Não é a velha mania, não é. É apenas querer saber algo mais e não saber como. Eu prefiro, então, a claridade do sol extremamente quente. Estou bem aqui sem chuva.
Uma companhia que me tem adocicado as atitudes, mas eu não consigo me revestir de pouco. Eu preciso de muito mais do que qualquer um que conheço pode me dar, eu ridicularizo os fracos, eu menosprezo os pequenos, eu escarneço dos humildes, eu provoco os bons, eu repudio os satisfeitos, eu piso nos incompletos. Para mim, aceito apenas o infinito, preciso do abraço de mil braços e da satisfação do amor pleno sustentado. Eu sou sincero e não temo minhas fraquezas e nem meus sentimentos obscuros, eu gosto de arrancar sangue de quem me ama para ver se me amam até na dor, eu os faço chorar e espero que se contorçam de dor dizendo palavras misturadas de carinho e ofensas. A autenticidade deles me faz ser real, porque o meu amor é sempre o maior do mundo inteiro, minhas ações são sempre em prol do melhor para todos e eu estou acima de todas as demonstrações reles de sentimento que até hoje presenciei. Patéticos seres, ninguém é capaz de alcançar o que eu vejo tão claramente.
Acabou que mergulhar em fantasia e idealização sempre foi mais aprazível do que confrontar arremedos de pessoas as quais valeriam mais se servissem de experimentos científicos do que espalhando suas imbecilidades pelo mundo. Acabou que estou tão cansado dessa necessidade que cada vez mais me apaixono por mim. Que maior há em termos de tudo o que eu sempre sonhei? Pequenos grãos, o que eu não daria para que todos se aglutinassem e assim talvez suas falhas se cancelassem e suas qualidades conseguissem restar, pelo menos uma e já seria uma grande diferença. Por que eu me esforço tanto em unir-me ao que não se deve ser unido.
Isto aqui não é o exterior, quando me sacrifico em pensamentos estou revendo tudo o que me faz sentir mais vivo e delicado, o conforto de poder despir-me e dormir até para sempre, nos braços que irão me acalmar se eu tiver um pesadelo, e eu não precisarei manter uma pose de que estou acima de tudo e sendo forte o tempo inteiro, eu quero poder ser que eu escondi num fundo de mim que se revela por momentos em que estou sendo completamente amor. Eu, parece que eu só queria estar assim sempre, ser assim de novo. Ser esse amor que sei que guardei em alguma parte de mim para usar de novo quando a hora chegasse. Eu consigo vê-lo por vezes, eu o vi há algum tempo. É mais lindo do que qualquer visão do paraíso. É o que eu sou de verdade...
Eu o contenho e por dentro e descobri que não estou completamente podre, ao contrário, a podridão eu externei. Por dentro sobrou apenas o amor que vaza quando sou descuidado e quando me sinto um pouco mais encantado. Eu me agarro a essa sensação, eu não sou como me amo sem ela. No final, eu não tenho como negar, eu preciso disso...
Uma coleção de qualidades intocadas, um código de conduta impecável resume todas as suas ações e controlam cada passo e cada pensamento. O que se diz poder ser mais racional do que ignorar qualquer razão emocional para jogar-se de cara na camisa de força do bem-agir? Uma honestidade patológica assoberba-te, mas o erro que o certo evoca é imenso demais para ser digerido. É melhor deitar sobre estacas finíssimas do que cobrir-se com um manto, o qual encontrou ao acaso, andando, preocupando-se, um momento leve no meio do caos.
Por diversos lapsos, pego-me cogitando dar novamente um passo atrás que poderia ser mil a frente sem que eu saiba. Mas então pequeníssimas palavras são capazes de fazer meu sangue gelar e voltar a curvar-me para dentro de mim. É impossível eu ser refém deste medo e estar tranquilo, o tempo de agir sempre foi o maior problema e as dores se acumularam, algumas curadas, mas não se sabe o que tem ainda por baixo. E em quanto tempo as coisas não mais teriam a possibilidade de ser como foram e estão sendo? Eu apenas não vislumbro qualquer chance de um futuro agradável, não-repetido.
Uma gota de chuva no deserto. Apenas, mas nunca pareceu mais do que isso, é bom estar no árido do deserto, o sol escaldante, eu prefiro a honestidade do sol a essa gota inconstante e irreal. Palavras animadoras, mas nunca consigo perceber o real, nunca consigo saber o concreto dos sentimentos... E deveria saber? Não é a velha mania, não é. É apenas querer saber algo mais e não saber como. Eu prefiro, então, a claridade do sol extremamente quente. Estou bem aqui sem chuva.
Uma companhia que me tem adocicado as atitudes, mas eu não consigo me revestir de pouco. Eu preciso de muito mais do que qualquer um que conheço pode me dar, eu ridicularizo os fracos, eu menosprezo os pequenos, eu escarneço dos humildes, eu provoco os bons, eu repudio os satisfeitos, eu piso nos incompletos. Para mim, aceito apenas o infinito, preciso do abraço de mil braços e da satisfação do amor pleno sustentado. Eu sou sincero e não temo minhas fraquezas e nem meus sentimentos obscuros, eu gosto de arrancar sangue de quem me ama para ver se me amam até na dor, eu os faço chorar e espero que se contorçam de dor dizendo palavras misturadas de carinho e ofensas. A autenticidade deles me faz ser real, porque o meu amor é sempre o maior do mundo inteiro, minhas ações são sempre em prol do melhor para todos e eu estou acima de todas as demonstrações reles de sentimento que até hoje presenciei. Patéticos seres, ninguém é capaz de alcançar o que eu vejo tão claramente.
Acabou que mergulhar em fantasia e idealização sempre foi mais aprazível do que confrontar arremedos de pessoas as quais valeriam mais se servissem de experimentos científicos do que espalhando suas imbecilidades pelo mundo. Acabou que estou tão cansado dessa necessidade que cada vez mais me apaixono por mim. Que maior há em termos de tudo o que eu sempre sonhei? Pequenos grãos, o que eu não daria para que todos se aglutinassem e assim talvez suas falhas se cancelassem e suas qualidades conseguissem restar, pelo menos uma e já seria uma grande diferença. Por que eu me esforço tanto em unir-me ao que não se deve ser unido.
Isto aqui não é o exterior, quando me sacrifico em pensamentos estou revendo tudo o que me faz sentir mais vivo e delicado, o conforto de poder despir-me e dormir até para sempre, nos braços que irão me acalmar se eu tiver um pesadelo, e eu não precisarei manter uma pose de que estou acima de tudo e sendo forte o tempo inteiro, eu quero poder ser que eu escondi num fundo de mim que se revela por momentos em que estou sendo completamente amor. Eu, parece que eu só queria estar assim sempre, ser assim de novo. Ser esse amor que sei que guardei em alguma parte de mim para usar de novo quando a hora chegasse. Eu consigo vê-lo por vezes, eu o vi há algum tempo. É mais lindo do que qualquer visão do paraíso. É o que eu sou de verdade...
Eu o contenho e por dentro e descobri que não estou completamente podre, ao contrário, a podridão eu externei. Por dentro sobrou apenas o amor que vaza quando sou descuidado e quando me sinto um pouco mais encantado. Eu me agarro a essa sensação, eu não sou como me amo sem ela. No final, eu não tenho como negar, eu preciso disso...
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